Sem sentido

Olhava fixamente para o celular. Um olhar fixamente vago. Era atento ao teclado e também a lugar nenhum. O que ela pensava? Nem mesmo a página do Google aberta sobre suas mãos seria capaz de responder.

 

A água insistia em pingar em cima dela. Lá fora o sol brilhava, mas dentro do ônibus a água escorria em seus ombros a cada curva. Chovia do lado dentro e desta vez não era nada romântico.

 

Voltou ao celular e começou a digitar. As curvas acentuadas faziam as letras fugirem de seus dedos. Talvez a velocidade fosse um pouco acima daquela marcada na placa que passou por seus olhos.

 

A água agora correu torrencialmente. Seu corpo encharcado foi de um lado para o outro em movimentos aleatórios. Já não eram apenas as curvas, agora eram cambalhotas. Dois, quatro, perdeu a conta antes de parar. Perdeu o sentido antes de encontrar algum sentido para tudo aquilo.

 

O celular foi arremessado para fora do vidro quebrado e ali ficou sem nenhum trauma. A página do Google aberta com a pesquisa que nunca será concluída. O que era mesmo que a mente inquieta iria procurar? Não se sabe, a mente aquietou-se.

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25 anos depois

Essa idade parece meio decisiva, é como se fosse um marco para ser adulta de vez porque já é ¼ de século de vida. Nossa, me senti velha falando assim. Mas na verdade não é a idade ou cara de garotinha que espera o ônibus da escola que determina, é uma forte vontade de dar novo rumo para a vida.

2012 sempre me pareceu um ano especial e eu realmente não acho que o mundo vá acabar em dezembro. É 12 o dia do meu aniversário e me acompanha como número da sorte há muito tempo.

E não é que o ano começou mesmo marcante? Bem mais do que fazer 25 anos, estou começando um novo ciclo. Enfim ter um lugar para chamar de meu lar doce lar, sair debaixo da proteção da mãe, encarar a rotina de lavar, passar, cozinhar, limpar e sabe-se lá mais o que.

Não é que eu não saiba fazer tudo isso, mas é diferente quando a moradia é sua. Isso tudo dá uma sensação de medo, insegurança e felicidade, tudo misturado num sentimento só, ao qual eu não tenho nome pra dar.

Depois de um ano tão turbulento como foi 2011, esse sentimento diz que 2012 é mesmo o ano para fazer acontecer, porque ser feliz, com licença, mas eu já sou muito.

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Tabacaria - Fernando Pessoa

Há tempos não voltava à Tabacaria.

 

Às vezes é preciso colocar poesia no dia a dia.

 

Não sou nada.

Nunca serei nada.

Não posso querer ser nada.

À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

 

Janelas do meu quarto,

Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é

(E se soubessem quem é, o que saberiam?),

Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,

Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,

Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,

Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,

Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,

Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

 

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.

Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,

E não tivesse mais irmandade com as coisas

Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua

A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada

De dentro da minha cabeça,

E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

 

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.

Estou hoje dividido entre a lealdade que devo

À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,

E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

 

Falhei em tudo.

Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.

A aprendizagem que me deram,

Desci dela pela janela das traseiras da casa.

Fui até ao campo com grandes propósitos.

Mas lá encontrei só ervas e árvores,

E quando havia gente era igual à outra.

Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?

 

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?

Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!

E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!

Gênio? Neste momento

Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,

E a história não marcará, quem sabe?, nem um,

Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.

Não, não creio em mim.

Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!

Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?

Não, nem em mim...

Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo

Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?

Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -

Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,

E quem sabe se realizáveis,

Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?

O mundo é para quem nasce para o conquistar

E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.

Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.

Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,

Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.

Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,

Ainda que não more nela;

Serei sempre o que não nasceu para isso;

Serei sempre só o que tinha qualidades;

Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,

E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,

E ouviu a voz de Deus num poço tapado.

Crer em mim? Não, nem em nada.

Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente

O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,

E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.

Escravos cardíacos das estrelas,

Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;

Mas acordamos e ele é opaco,

Levantamo-nos e ele é alheio,

Saímos de casa e ele é a terra inteira,

Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

 

(Come chocolates, pequena;

Come chocolates!

Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.

Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.

Come, pequena suja, come!

Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!

Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,

Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

 

Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei

A caligrafia rápida destes versos,

Pórtico partido para o Impossível.

Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,

Nobre ao menos no gesto largo com que atiro

A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,

E fico em casa sem camisa.

 

(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,

Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,

Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,

Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,

Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,

Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,

Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -

Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!

Meu coração é um balde despejado.

Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco

A mim mesmo e não encontro nada.

Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.

Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,

Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,

Vejo os cães que também existem,

E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,

E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

 

Vivi, estudei, amei e até cri,

E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.

Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,

E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses

(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);

Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo

E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente

 

Fiz de mim o que não soube

E o que podia fazer de mim não o fiz.

O dominó que vesti era errado.

Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.

Quando quis tirar a máscara,

Estava pegada à cara.

Quando a tirei e me vi ao espelho,

Já tinha envelhecido.

Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.

Deitei fora a máscara e dormi no vestiário

Como um cão tolerado pela gerência

Por ser inofensivo

E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Essência musical dos meus versos inúteis,

Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,

E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,

Calcando aos pés a consciência de estar existindo,

Como um tapete em que um bêbado tropeça

Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

 

Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.

Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada

E com o desconforto da alma mal-entendendo.

Ele morrerá e eu morrerei.

Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.

A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.

Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,

E a língua em que foram escritos os versos.

Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.

Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente

Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,

 

Sempre uma coisa defronte da outra,

Sempre uma coisa tão inútil como a outra,

Sempre o impossível tão estúpido como o real,

Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,

Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

 

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)

E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.

Semiergo-me enérgico, convencido, humano,

E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

 

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los

E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.

Sigo o fumo como uma rota própria,

E gozo, num momento sensitivo e competente,

A libertação de todas as especulações

E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

 

Depois deito-me para trás na cadeira

E continuo fumando.

Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira

Talvez fosse feliz.)

Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.

O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).

Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.

(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)

Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.

Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo

Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.

 

Álvaro de Campos, 15-1-1928

 

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O crepúsculo de cada dia

Todo fim do dia é assim

O crepúsculo incomoda minha sede de vida

Adormeço  em silêncio dentro de mim

E meus sonhos ficam envoltos com a névoa da impossibilidade

 

De tantos desejos, quantos conseguirão ver a luz do dia?

Quantos ficarão presos nesse limbo entre o sol e a lua?

São apenas lampejos que perderam a força

Acabou a pilha para seguir no caminho da luz

 

Me encontro nas curvas e me perco em linhas retas

Os passos pesam porque não quero chegar

O destino traz tensão e todo peso que não posso carregar

 

A noite chega, sem lua, sem estrela, sem nuvens

Uma noite enevoada de perguntas, respostas e dúvidas

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Cheq Bom - Cooper

(download)
Ficha técnica

 

Agência: Free Multiagência

Cliente: Cooper

Peça: VT 30"

Criação: David Theiss, Fernando Luiz Pasa e Cristiane Hardt

Direção de criação: Cyntia Wehmuth Hugo

Atendimento: Diani Caroline Perez

Planejamento: Adriano Haake

Mídia: Priscila Ramos

Produção: Luciele Beatriz Kessler

Aprovação Cliente: Regina Aparecida Eberle

Produtora Vídeo: Kaffe Creative Studio / Studio 20

 

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Um dia qualquer

Ela desceu do ônibus e em sua caminhada solitária cantarolava na beira do asfalto. Entre “Gipsy” e alguns sussurros, um pulinho de surpresa. Ela nem havia notado que o tempo estava para chuva, mas relâmpagos cortantes de céu a fizeram perceber que a chuva poderia lhe fazer companhia.

Continuou sua caminhada asfáltica sem se importar, mas alguns se importaram. E assim todos os carros e motos que passaram resolveram mostrar a ela que eles tinham buzina. Sim, buzina, uma invenção que ela já conhecia há tempos, portanto não entendia porque insistiam em mostrá-la.  Aliás, nunca entendeu porque pessoas lhe buzinavam, ela já conhecia o som barulhento e não tinha motivo de beleza surpreendente para chamar a atenção.

Enfim, sua caminhada ainda era longa. Nessa noite ela não se importava com seu rígido e cruel horário. Seguiu pelo caminho provido de monstros imaginários e fantasmas não tão imaginários assim.

Não estava sozinha. Era seguida de perto por latidos e ruídos. Era só um fim de dia e uma noite fria que se apresentava.

A chuva começou a dar sinais de sua presença. Mas ela já havia conversado com aquelas nuvens e estava combinado que a chuva só começaria quando sua caminhada diária terminasse.

E assim foi. O morro se fez escada, a escada abriu portas e a chuva trilhou os telhados.

Era só mais uma noite de um dia qualquer.

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Exclusividade no Ar - Metrik Design

Metrik_-_anuncio_mais_bela_215x29cm
Ficha técnica

Agência: Free Multiagência

Cliente: Metrik Design

Peça: Anúncio Revista

Atendimento: Rogério Silva

Planejamento: Adriano Haake

Direção de criação: Cyntia Wehmuth Hugo

Criação: Cristiane Hardt e Rafael Soares

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News - Dia do Meio Ambiente

Altenburg_-_newsletter_meio_ambiente
Ficha técnica:

Agência: Free Multiagência

Cliente: Altenburg

Peça: News Meio Ambiente

Atendimento: Fernanda Gomes

Direção de criação: Cyntia Wehmuth Hugo

Criação: Joana Cristina, Cristiane Hardt

Aprovação: Diva Castro

 

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Mania de perseguição

Ela acelerava os passos.
Os passos atrás dela aceleravam também.

Estava mais atrasada do que de costume. O atraso era diário e fazia parte da rotina, mas nesse dia estava exagerado. Fazia muito frio e o inverno nem tinha chegado no sul. O sol, que já deveria estar ali, estava preguiçoso e resolveu deixá-la sozinha.

Esses já eram os combustíveis para seus passos naquela gélida amanhã.

Sua pressa a fez ir por outro caminho, um pouco mais curto, talvez assim recuperasse os minutos que havia perdido na cama.

Concentrou-se em seus passos. Porém percebeu que não eram os únicos. Aqueles passos atrás dela começaram a se aproximar. 

Ela acelerava os passos.
Os passos atrás dela aceleravam também.

Ela visualizou o ponto de ônibus. Apertou os passos dentro da bota apertada para se distanciar.
Mas percebia que a pessoa atrás dela se aproximava cada vez mais.

Começou a suar, seu coração acelerou, o ponto de ônibus que nunca chegava.

Enfim, chegou antes do ônibus e antes daqueles passos acelerados atrás dela.

Sentada naquele banco gelado, ainda ofegante, reparava naquela pessoa que estava atrás dela há alguns minutos atrás.

Pensava e não entendia. Afinal, por que inventaram a regra social que institui que,se você encontra um vizinho fazendo o mesmo trajeto que o seu, deve conversar com ele amigavelmente?
Às 7 da manhã ela não conseguia nem conversar consigo mesma, imagina com outra pessoa. Foi necessário acelerar muitos passos para escapar desse bate-papo matinal. Finalizou com um sorriso amarelo como quem diz "nossa, você estava atrás de mim, nem tinha reparado".

Nesse instante, o ônibus chegou.

 

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Simplesmente escrever

 

Escrever um bom texto muitas vezes se assemelha a um parto. Você não conseguirá ver seu lindo texto antes de passar por um bocado de sofrimento e muito suor. E fará tudo isso com muito gosto e felicidade.

Uma hora, enfim, ele nasce, brota, surge. Então você vê sua obra ali diante dos seus olhos, brilhando e sorrindo. Sabe que é hora de entregá-lo ao seu destino.

Você o trata com amor, carinho, zelo. Até que, de repente, vê que ele está pronto para fazer aquilo que lhe foi destinado, razão pela qual você o colocou no mundo: cumprir o objetivo do job. Ah, tadinho, por quantas provações ainda terá que passar.

A primeira delas: o diretor de criação. Mas que fique claro, existem diretores de criação E diretores de criação. Tem aqueles, os que realmente entendem de criação, que cuidam do seu texto como se tivesse sido concebido por ele, o deixam até mais bonito. Mas também têm aqueles que pedem 15 alterações, uma com menos sentido do que a outra. Depois ainda te chamam para uma conversa de horas explicando como você deveria ter feito o texto, porque você deveria pirar e tantas outras ladainhas.

Enfim, se seu filho, digo, texto, passou por essa provação (porque isso é bem mais que aprovação), é hora de encaminhá-lo ao atendimento.

Preste atenção no olhar dele, em seus gestos e defenda seu texto com todos os argumentos possíveis.

Provado que seu texto está completamente de acordo com a solução necessária, chega a hora mais difícil: enviá-lo para aprovação do cliente.

De lá ele pode voltar com sérias mutações. Mutações que o deixarão irreconhecível e você renegará sua própria criação. Jamais admitirá que aquilo saiu de você.

Por outro lado, ele pode sobreviver e voltar lindo e saudável. Então você joga seu texto no mundo com muito orgulho: “vai meu filho, vai fazer seu papel na sociedade, vai mostrar ao que veio”.

E reinicia a saga, com todos os jobs que aguardam ansiosamente para se tornarem textos.

 

 

 

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