Sem sentido
Olhava fixamente para o celular. Um olhar fixamente vago. Era atento ao teclado e também a lugar nenhum. O que ela pensava? Nem mesmo a página do Google aberta sobre suas mãos seria capaz de responder.
A água insistia em pingar em cima dela. Lá fora o sol brilhava, mas dentro do ônibus a água escorria em seus ombros a cada curva. Chovia do lado dentro e desta vez não era nada romântico.
Voltou ao celular e começou a digitar. As curvas acentuadas faziam as letras fugirem de seus dedos. Talvez a velocidade fosse um pouco acima daquela marcada na placa que passou por seus olhos.
A água agora correu torrencialmente. Seu corpo encharcado foi de um lado para o outro em movimentos aleatórios. Já não eram apenas as curvas, agora eram cambalhotas. Dois, quatro, perdeu a conta antes de parar. Perdeu o sentido antes de encontrar algum sentido para tudo aquilo.
O celular foi arremessado para fora do vidro quebrado e ali ficou sem nenhum trauma. A página do Google aberta com a pesquisa que nunca será concluída. O que era mesmo que a mente inquieta iria procurar? Não se sabe, a mente aquietou-se.