Simplesmente escrever
Escrever um bom texto muitas vezes se assemelha a um parto. Você não conseguirá ver seu lindo texto antes de passar por um bocado de sofrimento e muito suor. E fará tudo isso com muito gosto e felicidade.
Uma hora, enfim, ele nasce, brota, surge. Então você vê sua obra ali diante dos seus olhos, brilhando e sorrindo. Sabe que é hora de entregá-lo ao seu destino.
Você o trata com amor, carinho, zelo. Até que, de repente, vê que ele está pronto para fazer aquilo que lhe foi destinado, razão pela qual você o colocou no mundo: cumprir o objetivo do job. Ah, tadinho, por quantas provações ainda terá que passar.
A primeira delas: o diretor de criação. Mas que fique claro, existem diretores de criação E diretores de criação. Tem aqueles, os que realmente entendem de criação, que cuidam do seu texto como se tivesse sido concebido por ele, o deixam até mais bonito. Mas também têm aqueles que pedem 15 alterações, uma com menos sentido do que a outra. Depois ainda te chamam para uma conversa de horas explicando como você deveria ter feito o texto, porque você deveria pirar e tantas outras ladainhas.
Enfim, se seu filho, digo, texto, passou por essa provação (porque isso é bem mais que aprovação), é hora de encaminhá-lo ao atendimento.
Preste atenção no olhar dele, em seus gestos e defenda seu texto com todos os argumentos possíveis.
Provado que seu texto está completamente de acordo com a solução necessária, chega a hora mais difícil: enviá-lo para aprovação do cliente.
De lá ele pode voltar com sérias mutações. Mutações que o deixarão irreconhecível e você renegará sua própria criação. Jamais admitirá que aquilo saiu de você.
Por outro lado, ele pode sobreviver e voltar lindo e saudável. Então você joga seu texto no mundo com muito orgulho: “vai meu filho, vai fazer seu papel na sociedade, vai mostrar ao que veio”.
E reinicia a saga, com todos os jobs que aguardam ansiosamente para se tornarem textos.