E se a crase fosse assassinada?

Muitos seriam os suspeitos. Afinal, quantos redatores, escritores, revisores, jornalistas, estudantes já quiseram dar um fim à crase? (E a teimosa aparece até quando eu falo do seu assassinato).

 

A língua portuguesa, dentro de sua concepção, sempre afirmou ser a crase indispensável. “Como poderia ser bem executada a escrita sem a existência do acento grave? Impossível!” diz com ênfase.

 

Há tempos atrás ela também afirmava que seria impossível viver sem o trema. Porém chegou uma tal reforma, de mansinho, e fez a língua portuguesa calar-se. Até 2012 estará extinta a trema. Uma morte que se faz lentamente. Poderia ser de uma vez só, mas a dor será estendida por 4 anos.

 

Mas estamos aqui para discutir sobre um possível assassinato da crase. Será que teria tamanha audiência quanto às novelas de Silvio de Abreu? Ou a falta de sotaque italiano não traria tanta atenção a nossa língua portuguesa?

 

Neste caso, pouco importa. A crase é muito bem vigiada. Nenhuma reforma conseguiria matá-la, sequer chegaria perto. Ela continuará onde está, ou onde deveria. Já que, bem, como sabemos, nem sempre ela aparece onde deveria.

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