Um dia qualquer

Ela desceu do ônibus e em sua caminhada solitária cantarolava na beira do asfalto. Entre “Gipsy” e alguns sussurros, um pulinho de surpresa. Ela nem havia notado que o tempo estava para chuva, mas relâmpagos cortantes de céu a fizeram perceber que a chuva poderia lhe fazer companhia.

Continuou sua caminhada asfáltica sem se importar, mas alguns se importaram. E assim todos os carros e motos que passaram resolveram mostrar a ela que eles tinham buzina. Sim, buzina, uma invenção que ela já conhecia há tempos, portanto não entendia porque insistiam em mostrá-la.  Aliás, nunca entendeu porque pessoas lhe buzinavam, ela já conhecia o som barulhento e não tinha motivo de beleza surpreendente para chamar a atenção.

Enfim, sua caminhada ainda era longa. Nessa noite ela não se importava com seu rígido e cruel horário. Seguiu pelo caminho provido de monstros imaginários e fantasmas não tão imaginários assim.

Não estava sozinha. Era seguida de perto por latidos e ruídos. Era só um fim de dia e uma noite fria que se apresentava.

A chuva começou a dar sinais de sua presença. Mas ela já havia conversado com aquelas nuvens e estava combinado que a chuva só começaria quando sua caminhada diária terminasse.

E assim foi. O morro se fez escada, a escada abriu portas e a chuva trilhou os telhados.

Era só mais uma noite de um dia qualquer.

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